Metodologia

Critérios de Avaliação de Respostas em testes / exames:

  • Domínio científico das questões suscitadas (autores de referência, conceitos e enquadramento crítico-temático);
  • Capacidade de síntese;
  • Diferenciação entre o essencial e o acessório;
  • Estrutura lógica da resposta;
  • Precisão da linguagem;
  • Espírito crítico (mas sem a utilização de juízos de valor).

    Elementos de Avaliação de Projectos de Investigação / Seminários:

Para um Artigo/ Ensaio:

  1. A Apresentação, Contextualização e Discussão do Tema;
  2. A Operacionalização dos Conceitos;
  3. A Apresentação e Discussão do Estado da Arte/ Contextualização Teórica;
  4. A Apresentação das Opções Metodológicas assumidas e a Discussão da sua Aplicação Prática;

Para Seminário com Estágio:

  1. A Apresentação, Contextualização e Discussão do Tema;
  2. A Apresentação, Contextualização e Discussão da Instituição de Acolhimento e da Área de Actividades;
  3. A Apresentação e Discussão do Plano de Actividades de Estágio;
  4. A Discussão da Execução do Plano de Actividades de Estágio;
  5. A Interpretação e Análise Crítica das Actividades Desenvolvidas à luz do enquadramento teórico escolhido.

__________________________________________________________________________________________

Na correcção de trabalhos, o que é que a professora quer dizer com:

Fonte? O aluno não indica o livro/artigo de onde retirou a ideia ou citação. Ao longo do texto, a fonte deve ser colocada indicando (apelido do autor, ano da obra/artigo, página em caso de citação directa). Qualquer ideia ou citação que o aluno retire de outro autor deve ser referenciado caso contrário, é plágio. Plágio é crime.

Bibliografia não é de referência – o aluno construiu uma bibliografia indicando fontes (artigos, livros) que não refere ao longo do texto. Uma bibliografia certa é uma bibliografia de referência, por isso, todas as fontes que são colocadas na bibliografia devem ser referidas no texto.

As referências estão incompletas – a indicação das fontes na bibliografia não está feita de forma completa, isto é, indicando: autor, ano, título, local de edição e editora (monografia); autor, data, título, volume, assunto e números de página (artigo de periódico científico); autor, data, título, editor, título de livro, local de edição, editora e páginas (capítulo de livro); autor, data, título, link, data de consulta (fonte web)… (ver normas de referenciação)

As fontes não são credíveis - o aluno recorreu a blogs, excertos de apresentações e outro “lixo digital” cuja origem é anónima ou cuja variabilidade é elevada.

Paráfrase – as ideias de outros autores podem ser usadas nos trabalhos recorrendo a duas formas de referenciação: citação e paráfrase. No caso da citação directa “colam-se” as palavras do autor colocando-as em itálico e entre aspas seguida da fonte (autor, ano, página). No caso da paráfrase, a ideia é escrita com as palavras do aluno, isto é, há uma apropriação da ideia que deve ser seguida da fonte (autor, ano, página facultativa). A paráfrase pode ser utilizada para traduzir ou sintetizar uma ideia.

Os apontamentos das aulas não são fonte – os apontamentos das aulas são elaborados com base em artigos e livros, são sínteses de ideias desenvolvidas noutros contextos e servem de guião para o discurso presencial nas aulas. Como tal, não devem ser “colados” nos trabalhos dos alunos, nem as ideias que lá são espelhadas usadas com indicação de fonte (apontamentos das aulas ou nome do professor aulas). Se os alunos “gostam” tanto das ideias devem ir procurá-las nas fontes indicadas nos respectivos apontamentos e na bibliografia da cadeira. Assim podem ver as ideias no seu contexto e usá-las nos seus trabalhos. Como não devem usar as ideias nos trabalhos, também não devem colocar os apontamentos das aulas na bibliografia. Os apontamentos das aulas são apenas um guia para vos auxiliar na selecção da informação importante a estudar para o exame. São manifestamente insuficientes para a obtenção de boas notas.

Itálicos – todos os estrangeirismos (inglês, latim, francês e afins) usados no texto, tal como, o nome dos livros e das marcas devem ser colocados em itálico.

Formatação - texto justificado; tamanho de letra e fonte de letra sempre igual.

Citação não enquadrada – as citações devem ser enquadradas e não simplesmente coladas no texto. Por exemplo:

Quando o homem ultrapassa o estádio da linguagem, recorre aos símbolos único meio de comunicação para se aproximar do uno inexpressável. Os símbolos são, portanto, oideal simbólico no sonho da alma e concreto na acção da história” (Costa, 1978:37). Assim sendo, os símbolos assumem-se como elo de ligação entre o mundo material e o espiritual.

E não:

Quando o homem ultrapassa o estádio da linguagem, recorre aos símbolos único meio de comunicação para se aproximar do uno inexpressável. Ideal simbólico no sonho da alma e concreto na acção da história” (Costa, 1978:37). Assim sendo, os símbolos assumem-se como elo de ligação entre o mundo material e o espiritual.

Qual é a diferença? A citação foi colada sem explicação, sem demonstração de compreensão da mesma pelo aluno/investigador. Se lerem bem o segundo período, nem faz sentido. Existem outras formas de enquadramento das citações, com fórmulas como: “nas palavras do autor”; “segundo o autor”; “assim sendo”; “desta forma verificamos que”, entre muitas outras…

Estado da arte? O estado da arte ou revisão da literatura faz parte do enquadramento temático e nele se apresentam os estudos feitos por autores publicados (livros ou artigos) sobre a temática abordada. Poderá não ser sobre o tema do trabalho do aluno (um dos requisitos é que seja inovador) contudo poderão ser estudos de parte da temática. Por exemplo, poderão não existir estudos publicados sobre “estratégias de comunicação do cinema português” mas existem estudos sobre “estratégias de comunicação” e sobre “cinema português”.

Notem que seminários de investigação disponíveis em bibliotecas universitárias de autores não publicados, não servem como fonte de investigação, nem devem ser usados para o estado da arte.

                A conclusão está pobre – A conclusão é fundamental num trabalho académico. Existem professores cuja correcção começa pela conclusão para verificação da coerência e da compreensão do tema por parte do aluno. Por isso, é muito importante redigir a conclusão com cuidado e de forma correcta. Numa conclusão faz-se a súmula do que foi dito no trabalho, recuperam-se os objectivos e a pergunta de partida e evidenciam-se os resultados em relação aos mesmos. Menciona-se o contributo do trabalho em termos académicos, e evidenciam-se as fragilidades e dificuldades, isto é, o que pode ser aprofundado e melhorado. Evitam-se citações e não se mencionam directamente respostas de entrevistados (conteúdo que deve estar no corpo do trabalho).

(work in progress)

_______________________________________________________________________

A metodologia é um aspecto fundamental em qualquer trabalho de investigação. Infelizmente, os alunos tardam em perceber a sua importância e ficam surpreendidos quando um trabalho que até pensavam estar bom, ser classificado com uma nota suficiente ou mesmo negativa. Muitas vezes isso está associado à falta de atenção e ao descuido com a metodologia.

Por isso, aconselho todos os alunos a verificarem os seguintes aspectos antes de enviarem os trabalhos aos docentes para avaliação:
  • Verificar a formatação e a estruturação do trabalho;
  • Proceder à verificação ortográfica e à correcção de gralhas;
  • Certificar-se que índice, gráficos, figuras, tabelas, capítulos e secções estão devidamente numerados e paginados;
  • Verificar a referenciação, esta deverá estar correcta, coerente e completa;
  • Elaborar a bibliografia ordenando-a por ordem alfabética, de forma completa e correcta.

Procedimento de investigação:

* Gula livresca ou estatística («lei do menor esforço»)

* Ignorar a etapa das hipóteses / objectivos («o mapa com a direcção»)

* Falta de objectividade expressiva («keep it simple»)

1.Escolha do Tema Genérico

Todo o trabalho de investigação se insere num continuum, podendo ser situado em correntes de pensamento que o influenciam.

A investigação social procura compreender melhor o significado de uma conduta ou acontecimento, recolhendo contribuições de trabalho precedentes, analisar o funcionamento da estrutura social e as condicionantes que limitam e enquadram os indivíduos em determinada sociedade.

2.Definição dos objectivos do Estudo: Gerais e Particulares  e Formulação da Pergunta de Partida

Pergunta de partida tem uma intenção compreensiva ou explicativa, permitindo ao investigador evidenciar processos sociais, económicos, políticos ou culturais de forma a compreender os fenómenos e os acontecimentos observáveis, assim como, interpretá-los mais acertadamente. Para isso, deverão ser observadas as qualidades de clareza, exequibilidade e pertinência, ou seja, a pergunta deverá ser precisa, concisa e unívoca; realista; contribuir para a evolução da investigação científica e ter uma intenção compreensiva ou explicativa

3.Exploração

A . Leitura: escolha e organização das leituras

i.Selecção de obras fundamentais sobre o tema (ajuda do orientador e outros investigadores; pesquisa do aluno em bibliotecas)

ii.Selecção de capítulos fundamentais, leitura de sínteses genéricas para se ficar com uma ideia genérica sobre as implicações do tema

B. Entrevistas exploratórias: justificam-se apenas quando o tema não tem produção científica.

i.Selecção de entrevistados (informadores qualificados)

ii.Definição das perguntas

Atitude a adoptar ao longo de uma entrevista exploratória:

1.Mínimo de perguntas possível

2.Intervir de forma mais aberta possível

3.Abster-se de se implicar pessoalmente no conteúdo

4.Procurar que a entrevista decorra num ambiente e contextos adequados

5.Gravar as entrevistas

* o envio de questões por e-mail não é uma entrevista!

Os métodos são formalizações particulares do procedimento de investigação, ou seja, percursos diferentes que permitem a inteligibilidade dos fenómenos estudados.

4.Problemática

A problemática é a abordagem ou perspectiva teórica que o investigador decide adoptar para tratar o problema definido na pergunta de partida.

A problemática tem 3 momentos:

oExploração das leituras e das entrevistas

oInventariar os diferentes aspectos do problema colocados pela pergunta de partida

oExplicitar o quadro conceptual que caracteriza a problemática – operacionalização de conceitos, definição das hipóteses e/ objectivos

Abordagem positivista: fenómenos sociais são estudados como os fenómenos naturais, procurando as suas causas em factos materiais anteriores, constantes e exteriores ao fenómeno a estudar.

Abordagem compreensiva: fenómenos sociais como produto da acção humana, procurando o sentido dessa acção para os actores sociais.


Método Hipotético-indutivo

Método hipotético-dedutivo

A construção parte da observação.

O indicador é de natureza empírica

A partir dele, constroem-se novos conceitos, novas hipóteses e, assim, o modelo que se submeterá ao teste dos factos.

(Raro na realização de trabalhos em Ciências da Comunicação, no I e II ciclo)

A construção parte de um postulado ou conceito totalizante tido como modelo de interpretação do fenómeno estudado.

Este modelo gera, através de um simples trabalho lógico, hipóteses, conceitos e indicadores para os quais se terão de procurar correspondentes no real.

(o mais comum)

Hipótese (proposição que prevê uma relação entre 2 termos que podem ser conceitos ou fenómenos):

ØCritério de refutabilidade:

oA hipótese deverá ter carácter de generalidade;

oAdmitir enunciados contrários que sejam teoricamente susceptíveis de verificação

* As hipóteses só são formuladas quando se desenvolvem estudos quantitativos ou experimentais. Ou seja, quando o vosso estudo é baseado em dados secundários (estudos já feitos), em entrevistas, observação, focus group ou outras técnicas de natureza qualitativa só devem formular objectivos de estudo.


5.Observação

ØObservar o quê? Dados necessários para confirmar ou refutar as hipóteses.

ØQuem? Limitação geográfica, temporal e socialmente a investigação (Amostra).

ØComo? Instrumentos de observação e recolha de dados.


6.Estrutura (indicada para teses)

Introdução

§Tema do trabalho

§Pergunta de partida

§Motivação Pessoal

§Justificação do Estudo

§Objectivos do Estudo


#Desenvolvimento

#Nota Metodológica

#Operacionalização de Conceitos

# Recolha Empírica (usando a metodologia)

#Discussão e Análise de Resultados

ØConclusões

  • Cumprimento dos objectivos propostos com síntese dos resultados
  • Confirmação ou rejeição da(s) hipótese(s)(estudo quantitativo)





Recomendações:

1.Equilíbrio dos capítulos* (Há trabalhos que não justificam a divisão em capítulos, dado que cada um deverá ter no mínimo 20 páginas. Neste caso o trabalho deve ser dividido em secções)

2.Definição clara dos objectivos

3.Objectivos simples e bem definidos

4.Hipóteses

·São afirmações que relacionam 2 variáveis

·O contributo científico com a sua confirmação ou infirmação é o mesmo, o importante é concluir-se algo

5.Dados

·Nem sempre as nossas intuições sobre um facto estão correctas, por isso se faz investigação. O valor dos dados está no que eles dizem e não no que queremos que eles digam.

·Caso o nosso corpus não nos permita tirar conclusões é melhor alterar o mesmo, até obtermos informação significativa.

6.Conclusões

·São baseadas nos dados que obtemos contudo a análise e interpretação dos resultados com base na actualidade e na cultura geral são valorizados

Linguagem:

·A evitar:

i.Utilização de advérbios de modo

ii.Adjectivação

iii.Linguagem jornalística

iv.É proibida a utilização do etc.

v.Abreviaturas

Em suma, ser sintético, objectivo e claro.

Fonte: Quivy, Raymond; Campenhoudt, Luc Van – Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva, 1992. (edição original: Manuel de Recherche em Sciences Sociales. Paris: Bordas, 1988.)

___________________________________________________________________________________________

      PAPER

Para a ABNT (1989), um paper é um pequeno artigo científico, elaborado sobre determinado tema ou resultados de um projecto de pesquisa para comunicações em congressos e reuniões científicas, sujeitos à sua aceitação por julgamento. Os propósitos de um paper são quase sempre os de formar um problema, estudá-lo, adequar hipóteses, cotejar dados, prover uma metodologia própria e, finalmente, concluir ou eventualmente recomendar. O paper é intrinsecamente técnico, podendo envolver fórmulas, gráficos, citações e pés de página, anexos, adendas e referências. Num paper a opinião do autor é velada e tem a aparência imparcial e distante, não deixando transparecer tão claramente as crenças e as preferências do escritor. Para Carmo-Neto (1996) os dados de um paper são geralmente experimentais, mensuráveis objectivamente; mesmos os mais intuitivos ou hipotéticos sempre imprimem um certo pendor científico, e quase sempre são formados a partir de uma metodologia própria para aquele fim.

Estrutura de um paper (artigo científico):

  • Título;
    Nome completo do(s) autor(es);
    Resumo e/ou Abstract;
        • Embora um paper apresente número de páginas variado, de 15 a 20 páginas é o tamanho aceitável (ou entre 5000 a 8000 palavras incluindo referências).

# Introdução;
# Revisão da Literatura;
# Metodologia;
# Desenvolvimento;
# Resultados;
# Discussão dos Resultados;
# Conclusão;
# Bibliografia;
# Anexos e/ou Apêndices._____________________________________________________________________________

Referenciação

As citações e a bibliografia são parte integrante de qualquer trabalho académico. Se as primeiras visam legitimar a nossa argumentação e enquadrar o nosso contributo científico, a segunda é a prova de que «não estamos sozinhos» na nossa investigação. Qualquer citação deve ser feita tendo por base os documentos consultados, pelo que as citações das citações devem ser honestas, ou seja, quando o Durand refere que o Freud disse, nós dizemos: «o Durand disse que o Freud disse», isto porque, citações são excertos retirados de contextos que podem não nos interessar.

Um exemplo flagrante é: «cuidado com o que desejas, não vá o sonho tornar-se realidade» dito por Neruda depois de Pinochet ter desejado a morte de Allende…

Não se esqueçam, ainda, que uma bibliografia é de referência, ou seja, só devem citar o que consultam e não enumerar uma quantidade de livros que nunca viram só porque acham que o professor vai gostar… correm o risco do professor conhecer as obras e dizer-vos que «Kotler – Manual de marketing para sociedades que não visam o lucro, não é adequado ao estudo de uma SAD desportiva».

A referenciação pode obedecer a várias regras, cabendo ao investigador a opção por um modelo (caso não esteja constrangido ao uso de um específico). Pode ser feita recorrendo ao sistema autor-data ou com notas de rodapé.

Para a elaboração das bibliografias, os sistemas mais comuns são a norma portuguesa (NP-405) e o modelo APA. Face à crescente internacionalização da investigação académica, recomenda-se o uso do modelo da APA e do sistema autor-data

APA:

(exemplo de referenciação de livros)

Berelson, B. (1952). Content Analysis in Communication Research. New York: Free Press.

Mann, C. & Stewart, F. (2000) Internet communication and qualitative research: a handbook for researching online. London: Sage.

(exemplo de referenciação de capítulo em livro)

Murphy, P. (1991). The limits of symmetry: a game theory approach to symmetric and asymmetric public relations. In J. E. Grunig, & L. A. Grunig (Edits.), Public Relations Annual, volume 3 (pp. 115-131). New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.

(exemplo de referenciação de artigo em revista científica)

McCleary, R. (2007). Ethical Issues in Online Social Work Research. In: Journal of Social Work Values and Ethics, 4(1), pp. 34-76.

(exemplo de referenciação de artigo publicado nos proceedings de uma conferência)

Mackey, S. (2005). Rhetorical Theory of Public Relations: opening the door to semiotic and pragmatism approaches. The Annual Meeting of the Australian and New Zealand Communication Association. Christchurch, New Zealand.

(exemplo de referenciação de artigo descarregado da net)

Herring, S. C. (2004b). Content Analysis for New Media: Rethinking the Paradigm. In: New Research for New Media: Innovative Research Methodologies Symposium Working Papers and Readings, pp. 47-66 [http://ella.slis.indiana.edu/~herring/newmedia.pdf], retrieved at 10th December, 2009.

(exemplo de referenciação de artigo disponível online)

Reid, E. (1996) “Informed consent in the study of online communities: A reflection on the effects of computer-mediated social research” [http://venus.soci.niu.edu/~jthomas/ethics/tis/go.libby], consulted on 27th November 2009.

Qual é a diferença entre o disponível online e o impresso da net? O primeiro tem acesso público, o outro encontra-se em websites de acesso reservado (b-on, jstor, proquest e outras bibliotecas virtuais). Em qualquer um deles devem colocar a data de consulta / impressão.

________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Conselhos para apresentação oral de trabalhos

A apresentação oral de trabalhos suscita sempre grandes dúvidas junto dos alunos face ao seu nervosismo e insegurança, por um lado, e devido à ambição desmedida de dizer tudo, por outro. Ora se no primeiro caso o treino cura, no segundo aumentam as probabilidades de erro e de «insulto» à plateia e ao professor.

Uma boa apresentação oral dura entre 10 e 20 minutos. A duração desejável pode ser determinada por norma ou por indicação do professor. No caso das disciplinas em que integro o corpo docente, apenas o Seminário tem uma duração de apresentação de 15 minutos, todas as outras apresentações devem ser feitas num tempo compreendido entre os 5 (relatório de progresso) e os 10 minutos.

A apresentação pode ter material de apoio: .ppt, vídeo, imagens ou material impresso. É recomendável que a apresentação tenha um único suporte para não dispersar a atenção.

Em 10 minutos os alunos devem:

. apresentar o tema, problemática, pergunta de partida, objectivos e hipóteses;

. enumerar os métodos e técnicas utilizados, descrevendo as particularidades dos mesmos (por exemplo, se recorreram a inquéritos referir quantos inquéritos foram feitos, onde, quando, com que nível de confiança e com que margem de erro; se utilizaram reuniões de grupo, onde e quando as fizeram, a quantos indivíduos e quais as suas características);

. sugestões estratégicas (no caso dos planos de Marketing e Relações Públicas);

. conclusões da pesquisa desenvolvida, suas principais dificuldades e contributos.

Quando o prazo de apresentação estipulado não é cumprido, reservo-me o direito de penalizar o(s) aluno(s) na sua nota.

      __________________________________________________________________________________________________________________

Estudos Fílmicos (Film Studies), Tv Studies

A produção audiovisual de uma nação que inclui uma identidade e cultura própria é um elemento fundamental para a compreensão desta cultura e até para assegurar a sua memória. No entanto, assiste-se na comunidade académica a uma certa desvalorização da produção de conteúdos cinematográficos e televisivos esquecendo-se, desta forma, o seu contributo para a compreensão cultural, social e individual da nação que representam. No que respeita a estudos fílmicos portugueses, os mesmos encontram-se centrados na óptica da recepção e portanto no estudo de caracterização sócio-demográfica das audiências, seguindo uma abordagem quantitativa, por vezes pouco explicativa com um enquadramento teórico baseado nos estudos de: Dudley Andrew (1984) Concepts in film theory, David Bordwell (1991) Making meaning; Janeit Staiger (1992) Interpreting films, Barbara Klinger (1994) Melodrama and Meaning e Robert Stam (2000) Film Theory: an introduction.

Contudo e graças à iniciativa de Vítor Reia-Baptista [(2003) A Pedagogia dos Media: o caso do cinema e das linguagens fílmicas] e do grupo de estudos fílmicos da SOPCOM, têm surgido estudos significativos que apelam à utilização dos Estudos fílmicos numa óptica pedagógica enfatizando a necessidade de: analisar géneros cinematográficos; contextualizar referências intertextuais; relacionar a história, as técnicas, as tecnologias e as correntes estéticas; descodificar e codificar as mensagens culturais, políticas, económicas, sociais, étnicas, éticas, estéticas e poéticas. Neste sentido e para além das audiências, os Estudos Fílmicos (ou audiovisuais para assim incluirmos narrativas televisivas) são abordadas na óptica da produção, do conteúdo e da pedagogia. Esta última assumindo um papel dominante se considerarmos o fenómeno comunicativo global.

Assim sendo, o cinema possui três tipos de dimensão pedagógica:

1. Afirmativa: onde é desenvolvida uma tese (pathos) conforme os valores e as normas dominantes no contexto sociocultural em que se insere, reforçando-as com a reprodução. O papel pedagógico cria, preserva e enaltece a identidade histórica e cultural de um povo (ex. do cinema norte-americano);

2. Interrogativa: onde são questionadas as narrativas afirmativas, assim como as instituições políticas, militares, sociais e culturais. Narrativa característica do cinema europeu e japonês, mas cada vez mais presente a nível global;

3. Herege ou subversiva: não põe em causa, subverte os dogmas e mina-os.

Metodologia de Análise Fílmica:

A – Stuart Hall – Decoding / Encoding

Vanoye e Goliot Lété – Descontruir / Reconstruir

. Decompor a narrativa nos seus elementos constituintes (personagens, cenários, imagem, emoções, texto, entre outros).

. Descrever os elementos de análise que consideramos, compreender as ligações entre eles.

. Recontar a história de acordo com a nossa análise evidenciando a importância de cada elemento para o nosso objecto de estudo, normalmente relacionado com estudos culturais.

B – Framing

Quadros de percepção que se constituem como aspectos guia de interpretação da linguagem fílmica [Stephen Reese (2001) Framing Public Life].

Três níveis de framing:

1. rotinas, isto é, como as mensagens são construídas pelos profissionais [building frame];

2. representação [media framing];

3. audiências [audience frame].

* nota: os estudos apresentados em A inserem-se no media framing.

Frames específicos (temáticos):

. consequências económicas [Semetko & Valkenburg (2000) "Framing European Politics"]

. interesse humano [idem]

. conflito [idem; Cappella & Jamieson (1997) "New Frames, Political cynicism and media cynicism"; Neuman (1992)]

. moralidade [D'Haenens & Saeys (2001)]

. atribuição de responsabilidade [Iyengar (1991) "Is Anyone Responsible? How Television Frames Political Issues"; Valkenburg (1999)]

Exemplo de Film Studies relativo ao filme de Wim Wenders de 1987 – wings of desire_film studies

_______________________________________________________________________________________________________________________________________________

Storytelling

O Storytelling é uma técnica metodológica utilizada para retratar determinada realidade através de uma história que é contada. Contar histórias é algo intrínseco ao ser humano desde que comunica, com o intuito de partilhar conhecimentos, valores, ideias e crenças, de forma a criar sentido e significado para o que nos rodeia. Ao criarem esta ligação emocional, as histórias apelam aos sentimentos e às emoções e permitem uma maior memorização.

Porque é que contamos histórias:

Para inspirar e motivar pessoas; para nos ligarmos emocionalmente às pessoas e com elas criar compromisso; para influenciar as pessoas; para criar fé nas nossas posições; para construir e manter relações; para partilharmos conhecimento e contribuirmos para a valorização da nossa e da experiência do outro; para resolver conflitos entre pessoas e equipas.

O Storytelling tem-se vindo a afirmar em termos empresariais e políticos. Cada vez mais o Director-Geral é um contador de histórias: pessoais, corporativas e «inventadas», que procura motivar os seus colaboradores e humanizar a sua organização. Por sua vez, o político é uma personagem com infância, adolescência, que passou por grandes provações ao longo da vida e, acima de tudo, que quer ser visto como uma pessoa com um percurso «humanizado» e que consegue criar uma ligação emotiva com «o outro», com o eleitor. Em Estudos Culturais, as histórias permitem o reconhecimento dos conteúdos produzidos, e devem ser consideradas na exemplificação e na análise dos fenómenos.

O Storytelling também se afirma no digital. Vejam: What is digital storytelling?

Storytelling is digital

    __________________________________________________________________________________________

Como analisar anúncios publicitários?

Análise Sémica*

Um anúncio publicitário é uma composição que inclui um plano icónico e um plano linguístico. Por isso, podemos utilizar esta metodologia para:

. Evidenciar as funções da linguagem predominantes no plano icónico (imagem) e no plano linguístico (texto).

. Identificar os semas: nuclear, comum, diferencial, contextual ou classema, e a isotopia.

. Identificar os elementos do modelo actancial: destinador, adjuvante, oponente e a competência.

. Elaborar uma interpretação temática.

Análise Fílmica

Se estivermos perante um anúncio-vídeo o mais indicado é elaborar a análise fílmica identificando:

1. Desconstrução:

. Pathos – drama / conflito

. Ethos – moral da história.

. Clímax – ponto culminante

. Protagonista

. Principais personagens secundárias

. Dicotomias

2. Reconstrução

. Sinopse

. Análise contextual

Como analisar campanhas de comunicação?**

A comunicação não é apenas publicidade. Quando outras técnicas são utilizadas, o enfoque da análise são as acções de comunicação e mensagens associadas. Todas as acções têm uma mensagem que deve ser individualizada e decomposta em:

. Produto: benefício

. Consumidor: motivação

. Objectivos da mensagem

. Alvos

. Promessa (Unique Selling Proposition)

. Tipo de mensagem: conotação / denotação

. Tom da mensagem

. Elementos da mensagem

* Matéria abordada na cadeira de Semiologia. Obra de referência: Courtès, J. (1979) Introdução à semiótica narrativa e discursiva. Coimbra: Almedina.

** Matéria abordada nas disciplinas de Comunicação de Marketing e Publicidade e Relações Públicas.

<!–[if !mso]> <! st1\:*{behavior:url(#ieooui) } –> Mann, C. & Stewart, F. (2000) Internet communication and qualitative research: a handbook for researching online. London: Sage.

1 Comentário »

RSS feed para os comentários a este artigo. TrackBack URI

  1. [...] Metodologia [...]


Deixar uma resposta

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Blog em WordPress.com. | Tema: Pool por Borja Fernandez.
Entradas e comentários feeds.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.