George Friedman prevê

Março 2, 2010 às 11:52 am | Na categoria Política | Deixe o seu comentário

Antigo professor de Ciência Política, comentador da CNN e da Fox News para questões de geopolítica e autor dos livros America’s Secret War, The Intelligence Edge, and The Future of War, lançou em 2009 o bestseller The Next 100 years (que chega agora às bancas com tradução portuguesa).

Ora segundo o politólogo americano (aparentemente sem relação com o economista Milton, mas obviamente beneficiado pelo apelido):

  • A União Europeia vai desintegrar-se devido às assimetrias regionais e à impossibilidade de unificar os membros em torno de uma moeda comum. A previsão é a do desaparecimento do euro na próxima geração (e dizer que é tão confortável não ter de cambiar dinheiro). Por outro lado, a Turquia terá responsabilidades acrescidas neste processo devido à imigração (e à percentagem populacional nas novas gerações).
  • O terrorismo não vencerá, pois os «califados», uma vez mais (invasões árabes), não se conseguirão entender o que apaziguará o conflito global (apesar da luta contra o inimigo comum?).
  • A China tem os dias contados: a sua população vai diminuir (é que dá matar meninas) e tanto a UE como os EUA deixarão de lhe comprar tantos produtos. Assim sendo, a grande potência nunca o será (ena… ena…).
  • A Polónia vai unir-se aos EUA para «combater» a ascensão da Rússia e enfrentarão a Turquia e o Japão. A 3ª Guerra Mundial será em 2050 entre EUA, Polónia, Japão e Turquia, envolvendo conflitos no espaço (???) e aviões supersónicos.
  • Os EUA vão ajudar o México(!) a tornar-se uma grande potência.

Sou só eu que noto o americanismo deste senhor? Portanto, os EUA continuam a dar cartas, a decidir quem é potência e não é, vão expandir a esfera de acção ao México (quiçá o tal 51º estado), anular a Rússia e a China. A relação desta com Angola nem é mencionada… o Brasil e a Índia são convenientemente ignorados e a UE totalmente aniquilada.

Um livro a não ler!

Suíça e os referendos

Novembro 29, 2009 às 4:55 pm | Na categoria Investigação, Política | Deixe o seu comentário

Depois da surpreendente vitória do «Sim» (59,6%; Não: 40,4; Abstenção: 49.6%) no referendo de Fevereiro, para o alargamento do livre mercado de trabalho à Roménia e à Bulgária (que aderiram à UE em 2007), comecei as questionar os resultados da minha tese de mestrado.

Ao visitar a Suíça em Abril deste ano, temi pela descaracterização do país da neutralidade, da ordem, da pontualidade e da civilização (desculpem, mas há 20 anos era assim). Pelo menos em Genebra, vi confusão, falta de civismo e tive dificuldade em ouvir falar na rua: francês, alemão ou mesmo italiano. Ouvi sim muito: português (150 000 oficiais), árabe e dialectos africanos.

Mas eis que a esperança regressa e não tenho de deitar para o lixo investigação de (pelo menos) 10 anos e uma vida.

Hoje, a Suíça mostra que as cedências às imposições da UE são uma necessidade para viabilizar os tratados bilateriais (sociólogos diziam-me na ESA e na EUPRERA que não passa de uma obediência decorrente da «chantagem» europeia) e aprova a proibição de construção de minaretes, considerados uma forma dos muçulmanos imporem a sua fé à restante comunidade, numa clara prova discriminatória (o que dizer da construção das sinagogas e das igrejas quer protestantes quer católicas romanas).

 

Resultados provisórios do referendo: 57.5% (sim).

Curiosamente as cidades do meu coração (Genebra, Neuchâtel e Vaud) votaram não à proibição…  Juntando-se-lhe Balle-Ville onde reside a maior comunidade muçulmana na Suíça.

25 de Abril

Abril 29, 2009 às 9:50 am | Na categoria História, Media, Política | Deixe o seu comentário

[Agradecimentos]

1.

O 25 de Abril é uma data fundadora, fundadora da liberdade.

Neste dia, celebramos a coragem e a generosidade de uma geração

que, arriscando a sua vida e a sua liberdade,

resolve dar a outra geração o maior dos bens:

o bem da liberdade.

Com efeito, qual o maior bem que uma geração pode dar a outra?

A liberdade.

Foi esse o valor sublime que nos ofereceram,

primeiro, os militares de Abril,

e depois o povo que saiu à praça e coloriu a rua,

mais tarde, todos aqueles – cidadãos, militares, políticos – que impediram

que um totalitarismo cedes­se o passo a outro tota­litarismo,

e finalmente, os que, com visão e lucidez,

nos ligaram à Europa, promovendo a integração na CEE, avançando para a União Europeia, introduzin­do-nos no Euro.

2.

O grande legado do 25 de Abril é, pois, esse e esse mesmo:

a possibilidade de cada geração tomar em suas mãos o seu destino,

deixando à seguinte e às futuras gerações o bem maior que as anteriores lhe facultaram: a liberdade.

Não se cumprirá nunca o 25 de Abril,

Não haverá nunca liberdade,

Se uma geração, no gozo máximo dos seus pretensos direi­tos,

inviabilizar a liberdade de decidir das gerações futuras,

privar “o mundo que há-de vir” da possibilidade de es­colher o seu próprio caminho e de tomar em mãos as suas próprias opções.

Uma geração que sequestre e aprisione o futuro das gerações seguintes nega e renega a liberdade.

Não é digna nem está à altura da liberdade que as mulheres e os ho­mens de Abril quiseram fundar.

Qual é, afinal, o maior bem que uma geração pode deixar a outra?

A liberdade.

3.

Portugal vive num tempo – é absolutamente imperativo denunciá-lo –

em que um Governo,

um Governo em fim de mandato,

cheio e ufano da “arrogância do presente”

tudo tem feito para roubar a liberdade

– a liberdade de escolha – às gerações seguintes.

Pois bem, nenhum Governo se pode arvorar no privilégio soberano

de sequestrar as gerações futuras.

Na verdade, o programa de grandes obras públicas, megalómanas e faraónicas, que o Governo está a desencadear, imoralmente,

nos últi­mos instantes da legislatura, põe, pura e simplesmente, em causa a liberdade de escolha e de decisão das gerações seguintes.

E qual é o maior bem que uma geração pode legar às que se lhe sucedem?

Precisamente aquele de que este Governo as quer privar: a liberdade!

4.

Com efeito, o custo acumulado das grandes obras pú­blicas é verdadeiramente sufocante e proibitivo.

Por entre as facturas das SCUT’s, das novas concessões de auto-estrada e do TGV,sem contar agora com o aeroporto e a nova ponte,

o Estado vai suportar uma insustentável renda anual de 1500 mi­lhões de euros até 2040, durante 30 anos – três longas dé­cadas, por­tanto.

É esta a factura que o actual Governo quer deixar à geração imediatamente seguinte e às que lhe hão-de suceder.

Que liberdade resta para essas gerações,

Que investimentos hão-de elas decidir, que op­ções poderão tomar,

se estão condenadas a trabalhar para pagar os des­mandos de uma geração anteriorque se julga não apenas gestora do presente, mas também, arrogante e ilegitimamente, senhora do futu­ro?

E qual o maior legado que uma geração pode consignar a outra?

A liberdade.

5.

A liberdade não é apenas um valor filosófico, concretizado na política, na liberdade de expressão, de consciência e de circulação.

Ela é isso tudo.

Mas sabemos todos, por experiência vivida,

que a liberdade tem também uma expressão económica.

Sem um mínimo de desafogo, sem um quantum de fundo de maneio,

nenhuma das nossas vontades se pode realizar, nenhum dos nossos sonhos se pode concretizar.

Sem esse reduto económico,

Não somos senhores do nosso destino.

Somos servos do nosso passado.

Somos simples escravos da dívida.

E o mesmo se passa com os povos.

Aquilo que este Governo prepara, com essa fac­tura financeira,

É aprisionar o futuro dos portugueses,

É restringir, condicionar e pôr em causa a liber­dade das gerações futuras.

Neste contexto, e mais agudamente num quadro de gravíssima crise económica-financeira,

A concretização desses projectos megalómanos não se limita

a aumentar brutalmente o já insustentável endividamento externo,

a condicionar o défice orçamental,

a baixar o crescimento,

a inviabilizar a hipótese de financiamento das pequenas e médias empresas competitivas,

a agravar o “rating” da República,

a anular o efeito benéfico da descida das taxas de juro pelo BCE.

E a fazê-lo, sublinhe-se, em tempo de eleições europeias,

contra tudo o que recomenda a União Europeia,

que aconselha desagravamento fiscal,

onde o Governo português quer investimento perdulário,

que aconselha investimento público selectivo e criterioso,

onde o Governo português quer investimento tóxico.

Não.

As grandes obras – esse investimento público tóxico vai muito mais longe e muito mais fundo:

põe em causa a própria liberdade, a liberdade de escolha e de decisão das gerações futuras, escraviza-as, sequestra-as, priva-as da liberdade, da liberdade que justificou Abril.

Para que o Governo português tenha hoje todo o arbítrio do mundo, até o de cometer erros colossais, hão-de as gerações seguintes, que são carne da nossa carne e sangue do nosso sangue, nossos filhos e nossos netos,

ficar agrilhoadas a uma dívida monstruosa.

Que bem maior poderíamos deixar-lhes, senão es­se de os livrar da serventia financeira e de lhes reconhecer o direito fundamental, originário e inicial de

poderem voltar a decidir o seu próprio destino.

6.

É por isso que é hoje,

Hoje 25 de Abril de 2009,

No meio da tormenta financeira,

Que é necessária uma ruptura.

Uma ruptura da geração Europa,

Desta geração que recusa e rejeita o diktat iluminado de quem não reconhece

O principal valor de Abril,

O valor a liberdade que é devida a cada época, a cada geração, a cada tempo.

Chegou a hora de a Geração Europa, a nossa geração tomar o destino em suas mãos e impedir o sequestro do futuro de Portugal, o sequestro de gerações e gerações de portugueses.

Chegou a hora de cortar amarras e correntes,

De dizer não às algemas financeiras e aos grilhões do endividamento crónico.

Chegou a hora, não há que ter medo das palavras, de “libertar o futuro”.

De “libertar o futuro” – o nosso futuro – da política socialista de pura imagem e propaganda,

De “libertar o futuro” – o futuro dos portugueses –

da factura financeira que subjugará as gerações seguintes e penaliza já as gerações presentes,

De “libertar o futuro”, rompendo políticas e rasgando horizontes para que

cada geração possa ser dona e senhora do seu destino

sem pagar tributo aos Césares ou Constantinos do passado.

Essa é a nossa missão actual,

essa é a nossa respon­sabilidade geracional,

esse é o nosso com­promisso histórico.

Nas autarquias, em Portugal, na União Europeia.

Tudo faremos e tudo vamos fazer para libertar Por­tugal, para libertar o futuro.

No dia 25 de Abril de 2009 e no ciclo de transformação que agora se inicia,

A nossa geração, as nossas gerações,

A geração Europa

já só tem um desígnio,

já só segue uma divisa,

já só figura um sonho:

“garantir a liberdade das gerações futuras,

Libertar o futuro.

[discurso de Paulo Rangel]

Continue Reading 25 de Abril…

Facebook e Democracia

Abril 27, 2009 às 4:18 pm | Na categoria Media, Política | Deixe o seu comentário

Pois é, parece que a Democracia não triunfa na rede social mais famosa do mundo. Apesar dos seus 200 milhões de utilizadores, de metade consultar diariamente o seu perfil e de 20 milhões destes visitantes diários  actualizarem o seu perfil pelo menos uma vez ao dia, parece que os mesmos não ligam muito aos mecanismos de votação disponibilizados pelos administradores da rede do Facebook.

A notícia é publicada pelo El País e foi-me enviada pelo Diogo Kawano e é um aviso sintomático que responde aos optimistas sobre os efeitos interactivos / participativos dos novos media. Ao que parece apenas 0.3% dos utilizadores do Facebook votaram sobre as normas de funcionamento do site , ou seja apenas 600.000 num total de 200 milhões. Claro que o tema também não era atractivo, era pouco interessante… mas que temas verdadeiramente o são?

Keynes ou Friedman, ou nenhum dos dois

Março 12, 2009 às 12:32 pm | Na categoria Media, Política | 1 Comentário

A Visão de 5 de Março inclui uma entrevista feita a Paul Samuelson, economista que durante a Depressão de 1932 já criticava Milton Friedman e as ideologias radicais do mercado livre.

Actualmente, Samuelson reconhece que a crise mundial não tem precedentes e que a recuperação se dará entre 2012 e 2014. Por outro lado, evidencia o quão errada é a noção de Friedman segundo a qual o sistema de mercado se consegue regular por si e proclama a importância dos Governos na resolução da crise, pois a política orçamental e os investimentos do Estado desempenham um papel fundamental na pilotagem da economia de mercado.

Ora as grandes questões que nos obrigam a reflectir são: que política orçamental e que investimentos do Estado?

Dou apenas 2 exemplos relacionados com cada uma das questões:

1. Diminuição do IRS?

- A quem? Como? Samuelson propõe que seja às classes-médias, mas o que define estas classes? o nível salarial declarado? Por outro lado, condena a diminuição do IRS a grandes empresas e às grandes fortunas, uma vez que, essa medida não os tornará mais dinâmicos.

É certo, mas e se essas empresas «ameaçarem» com despedimentos? Ou influenciarem as medidas governamentais? Afinal representam percentagens significantes dos PIB’s nacionais.

A desigualdade existente nas fortunas dos gestores destas empresas e seus trabalhadores é apenas uma evidência dos efeitos perniciosos do mercado de livre concorrência.

2. Investimentos governamentais em infra-estruturas

«Todos os esforços devem ser sustentados. Pontes para lugar nenhum não conduzem à recuperação económica» palavras de Samuelson. Ora bem, antes de se construir é necessário fazer contas, muitas contas e não daquelas que «derrapam» e que no final estão erradas por acréscimos vergonhosos.

E aqui que me perdoem os apologistas do TGV que leva Portugal para lado nenhum, mas nós comuns cidadãos que não percebemos nada de obras públicas gostaríamos de saber para que serve o TGV num país periférico, servido por muitas companhias áreas, com 2 novos aeroportos na calha (Beja e Alcochete), com comboios Intercidades e Alfa para servir as principais cidades (este último quase às moscas) e com tão pouco dinheiro na carteira que a motivação para viajar é muita mas pouco traduzida em comportamento.

Por outro lado, as auto-estradas deste país desde Ferreira do Amaral que não têm motivos para sorrir. Na A1 contam-se as horas do dia em que não há acidentes e as zonas da mesma em que não haja problemas na camada do alcatrão (a entrada do IC17 para a A1 é apenas um bom exemplo de jantes «estragadas»). A A23 há tão pouco tempo baptizada tem um corte de 1 km em Torres Novas por abatimento de terra… previsão de reparação?

E prefiro ficar por aqui caso contrário ainda me lembro do IC19 ou da A5…

Tudo isto para reflectirmos:

Avé Keynes? Intervencionismo estatal, política orçamental e monetária? Depende… Que Estado?

Abaixo Friedman? Mercado de Livre Concorrência e auto-regulação? Depende… Que Estado?

Cidadania digital

Março 4, 2009 às 3:18 pm | Na categoria Media, Política | Deixe o seu comentário

Não se esqueçam de comparecer à Conferência organizada pelo ISCSP, com o apoio da SOPCOM.

As questões da Cidadania, da Economia Digital e Novos Media.

cidadania1

Veto à Lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social

Março 4, 2009 às 2:01 pm | Na categoria Media, Política | Deixe o seu comentário
Presidente da República não promulgou decreto que aprova a Lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social
A propósito desta decisão, a Presidência da República divulga o seguinte comunicado:

1 – A referida Lei foi aprovada num momento em que a Comissão Europeia se encontra a promover a definição de critérios fiáveis e de indicadores objectivos sobre o pluralismo dos meios de comunicação social, não havendo motivo que justifique urgência na publicação de um diploma desta natureza e alcance [portanto, subjectividade do conceito, não coincidência entre teoria e prática]

2 – O diploma em causa assume, aliás, a sua própria precariedade, ao salvaguardar a aplicação futura dos indicadores de pluralismo e independência que vierem a ser adoptados pelo direito comunitário. [portanto, a lei não serve para nada... mais uma em que se escreve, escreve!]

3 – Por outro lado, é desaconselhável o recurso, como sucede no caso em apreço, a conceitos indeterminados – como «instrumentos de aferição reconhecidos no meio» –, que podem criar instabilidade no sector e vir a pôr em causa a própria independência das empresas e a sua viabilidade. [demagogia... será?]

4 – Acresce que, na actual conjuntura económica, e até para salvaguarda da própria independência e do pluralismo dos meios de comunicação social, não se vê razão para excluir liminarmente a possibilidade de o Estado ou outras entidades públicas terem necessidade de intervir no sector de actividade em causa. [ou seja, caro neo-liberalismo, a conjuntura de crise exige medidas de excepção e a lei não as prevê... esta e outras, mas esta estava na calha]

5 – Uma vez que é de toda a conveniência existir nesta matéria uma harmonização de critérios no espaço europeu, deveria aguardar-se os resultados dos trabalhos em curso nas instituições comunitárias, que se encontram anunciados para breve, e, com base neles, obter então um consenso político alargado para a aprovação de regras objectivas, claras e transparentes num domínio que se afigura essencial para a salvaguarda da liberdade de imprensa e para a qualidade da democracia, cuja relevância se evidencia, desde logo, pela exigência constitucional de uma maioria de dois terços dos deputados para a aprovação da lei respeitante à entidade de regulação da comunicação social. [Ou seja, aguardam-se as decisões dos conglomerados internacionais dos media que, no caso português, tudo indica deverão reforçar as suas posições... Europress, Bertelsmann]

Leia aqui o texto integral da mensagem do Presidente da República à Assembleia da República

Agora a sério, MERCADO REGULADOR DA COMUNICAÇÃO SOCIAL EM PORTUGAL

Compete à Entidade Reguladora para a Comunicação Social decidir se determinado processo de aquisição de um órgão de comunicação social respeita os princípios de independência e pluralidade de opinião, de forma a respeitar algo mais lato como sejam os direitos fundamentais dos cidadãos de informar e serem informados. De acordo com a lei, vetada pelo PR, esta entidade podia iniciar um procedimento de averiguação sempre que tomar conhecimento que uma determinada empresa detém “50% ou mais” das quotas de circulação ou audiência num dado “universo de referência” (publicações periódicas, rádio ou televisão) ou quando essa mesma empresa detém mais de 30% em mais do que um desses “universos”. Após notificada desse procedimento, a empresa pode responder de duas maneiras. Primeiro, refutando os dados de audiências na base dos quais o procedimento de averiguação foi iniciado (e aqui entram os dilemas das audiências por tiragem ou venda em banca). Segundo, demonstrando que “estão salvaguardados o pluralismo e a independência”. Para tal ou se demonstra que existe “expressão e confronto das diversas correntes de opinião”, “respeito pela direito de constituição de conselhos de redacção e pelo exercício de direito de resposta”. Ou então, a empresa pode tentar demonstrar o “preenchimento de indicadores de pluralismo e independência”, tais como “a diversidade das orientações editoriais dos órgãos de comunicação social por si detidos”, “a existência de instrumentos de auto-regulação” e a “disponibilização de espaço ou de tempo de programação específicos a minorias”. E a empresa pode ainda “invocar os seus antecedentes em matéria de respeito pelo pluralismo e de manutenção de independência perante o poder político e económico”.

E aqui nada melhor do que invocar a compra da TSF pela Controlinveste que detém o DN, o JN, a Bola, a Lusomundo, etc. etc., ou a aglutinação pela Media Capital de outros tantos órgãos de comunicação… enfim: os exemplos são vários e a questão deixa-nos pensar ainda mais se tivermos atenção suficiente para perceber que em Portugal existem 5 grupos de Comunicação Social (Media Capital; Impresa; Cofina; Controlinveste; Impala) que por sua vez têm ligações a grupos internacionais (Prisa, Europress, Bertelsmann, Warner AOL). E porque não ler o artigo da Elsa Costa e Silva.

Regressando ao procedimento previsto pela lei, depois da resposta da empresa, a ERC analisará todos estes elementos, emitindo um projecto de decisão. Se o juízo for negativo, a ERC pode receber da empresa uma “proposta para preenchimento dos indicadores de pluralismo e de independência cuja ausência tiver sido assinalada no projecto de decisão”, com condições, termos e prazos de execução e tudo. Mas se tudo falhar, a ERC pode aplicar uma série de medidas de salvaguarda (remedies), entre as quais a proibição de aquisição de empresas ou órgãos de comunicação social, impedir acesso a concursos de atribuição de licenças ou impedir a renovação de licenças.

O parecer da entidade reguladora é VINCULATIVO. E só em caso afirmativo o processo segue para a Autoridade da Concorrência.

Ora todo este processo enferma em vários pontos: para além da velha questão das audiências temos ainda de pensar em como vai a ERC regular os Novos Media, leia-se Internet. Por outro lado, existem outros indicadores, como: “de pluralismo e independência” de determinação no mínimo subjectiva; “expressão e confronto de diversas correntes de opinião” e “diversidade das orientações editoriais dos órgãos de comunicação”. Parece que a Comissão Europeia anda a estudar este assunto há algum tempo sem ter chegado ainda a uma conclusão, mas o legislador português deve achar que já tem a resposta sobre como aferir estas coisas: provavelmente, são os instrumentos e medidas que a ERC vem utilizando nos seus relatórios.

Perante este cenário é caso para dizer Habemos Presidente. O Grupo Renascença respira de alívio, pois não vai ser acusado de posição dominante dado que possui mais de 50% de quota de mercado (audiência radiofónica).

Blog em WordPress.com. | Tema: Pool por Borja Fernandez.
Entradas e comentários feeds.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.