O Destino Manifesto Português – resumo temático

Maio 23, 2009 às 1:13 pm | Na categoria Cultura, História, Investigação | Deixe o seu comentário

É oficial, já podem consultar o resumo temático da minha Tese de Doutoramento em: http://www.bocc.ubi.pt/

http://www.bocc.ubi.pt/pag/sebastiao-sonia-o-destino-manifesto-portugues.pdf

Será um artículo particularmente útil aos alunos de Antropologia – Estruturas e Imagens da Cultura Portuguesa…

25 de Abril

Abril 29, 2009 às 9:50 am | Na categoria História, Media, Política | Deixe o seu comentário

[Agradecimentos]

1.

O 25 de Abril é uma data fundadora, fundadora da liberdade.

Neste dia, celebramos a coragem e a generosidade de uma geração

que, arriscando a sua vida e a sua liberdade,

resolve dar a outra geração o maior dos bens:

o bem da liberdade.

Com efeito, qual o maior bem que uma geração pode dar a outra?

A liberdade.

Foi esse o valor sublime que nos ofereceram,

primeiro, os militares de Abril,

e depois o povo que saiu à praça e coloriu a rua,

mais tarde, todos aqueles – cidadãos, militares, políticos – que impediram

que um totalitarismo cedes­se o passo a outro tota­litarismo,

e finalmente, os que, com visão e lucidez,

nos ligaram à Europa, promovendo a integração na CEE, avançando para a União Europeia, introduzin­do-nos no Euro.

2.

O grande legado do 25 de Abril é, pois, esse e esse mesmo:

a possibilidade de cada geração tomar em suas mãos o seu destino,

deixando à seguinte e às futuras gerações o bem maior que as anteriores lhe facultaram: a liberdade.

Não se cumprirá nunca o 25 de Abril,

Não haverá nunca liberdade,

Se uma geração, no gozo máximo dos seus pretensos direi­tos,

inviabilizar a liberdade de decidir das gerações futuras,

privar “o mundo que há-de vir” da possibilidade de es­colher o seu próprio caminho e de tomar em mãos as suas próprias opções.

Uma geração que sequestre e aprisione o futuro das gerações seguintes nega e renega a liberdade.

Não é digna nem está à altura da liberdade que as mulheres e os ho­mens de Abril quiseram fundar.

Qual é, afinal, o maior bem que uma geração pode deixar a outra?

A liberdade.

3.

Portugal vive num tempo – é absolutamente imperativo denunciá-lo –

em que um Governo,

um Governo em fim de mandato,

cheio e ufano da “arrogância do presente”

tudo tem feito para roubar a liberdade

– a liberdade de escolha – às gerações seguintes.

Pois bem, nenhum Governo se pode arvorar no privilégio soberano

de sequestrar as gerações futuras.

Na verdade, o programa de grandes obras públicas, megalómanas e faraónicas, que o Governo está a desencadear, imoralmente,

nos últi­mos instantes da legislatura, põe, pura e simplesmente, em causa a liberdade de escolha e de decisão das gerações seguintes.

E qual é o maior bem que uma geração pode legar às que se lhe sucedem?

Precisamente aquele de que este Governo as quer privar: a liberdade!

4.

Com efeito, o custo acumulado das grandes obras pú­blicas é verdadeiramente sufocante e proibitivo.

Por entre as facturas das SCUT’s, das novas concessões de auto-estrada e do TGV,sem contar agora com o aeroporto e a nova ponte,

o Estado vai suportar uma insustentável renda anual de 1500 mi­lhões de euros até 2040, durante 30 anos – três longas dé­cadas, por­tanto.

É esta a factura que o actual Governo quer deixar à geração imediatamente seguinte e às que lhe hão-de suceder.

Que liberdade resta para essas gerações,

Que investimentos hão-de elas decidir, que op­ções poderão tomar,

se estão condenadas a trabalhar para pagar os des­mandos de uma geração anteriorque se julga não apenas gestora do presente, mas também, arrogante e ilegitimamente, senhora do futu­ro?

E qual o maior legado que uma geração pode consignar a outra?

A liberdade.

5.

A liberdade não é apenas um valor filosófico, concretizado na política, na liberdade de expressão, de consciência e de circulação.

Ela é isso tudo.

Mas sabemos todos, por experiência vivida,

que a liberdade tem também uma expressão económica.

Sem um mínimo de desafogo, sem um quantum de fundo de maneio,

nenhuma das nossas vontades se pode realizar, nenhum dos nossos sonhos se pode concretizar.

Sem esse reduto económico,

Não somos senhores do nosso destino.

Somos servos do nosso passado.

Somos simples escravos da dívida.

E o mesmo se passa com os povos.

Aquilo que este Governo prepara, com essa fac­tura financeira,

É aprisionar o futuro dos portugueses,

É restringir, condicionar e pôr em causa a liber­dade das gerações futuras.

Neste contexto, e mais agudamente num quadro de gravíssima crise económica-financeira,

A concretização desses projectos megalómanos não se limita

a aumentar brutalmente o já insustentável endividamento externo,

a condicionar o défice orçamental,

a baixar o crescimento,

a inviabilizar a hipótese de financiamento das pequenas e médias empresas competitivas,

a agravar o “rating” da República,

a anular o efeito benéfico da descida das taxas de juro pelo BCE.

E a fazê-lo, sublinhe-se, em tempo de eleições europeias,

contra tudo o que recomenda a União Europeia,

que aconselha desagravamento fiscal,

onde o Governo português quer investimento perdulário,

que aconselha investimento público selectivo e criterioso,

onde o Governo português quer investimento tóxico.

Não.

As grandes obras – esse investimento público tóxico vai muito mais longe e muito mais fundo:

põe em causa a própria liberdade, a liberdade de escolha e de decisão das gerações futuras, escraviza-as, sequestra-as, priva-as da liberdade, da liberdade que justificou Abril.

Para que o Governo português tenha hoje todo o arbítrio do mundo, até o de cometer erros colossais, hão-de as gerações seguintes, que são carne da nossa carne e sangue do nosso sangue, nossos filhos e nossos netos,

ficar agrilhoadas a uma dívida monstruosa.

Que bem maior poderíamos deixar-lhes, senão es­se de os livrar da serventia financeira e de lhes reconhecer o direito fundamental, originário e inicial de

poderem voltar a decidir o seu próprio destino.

6.

É por isso que é hoje,

Hoje 25 de Abril de 2009,

No meio da tormenta financeira,

Que é necessária uma ruptura.

Uma ruptura da geração Europa,

Desta geração que recusa e rejeita o diktat iluminado de quem não reconhece

O principal valor de Abril,

O valor a liberdade que é devida a cada época, a cada geração, a cada tempo.

Chegou a hora de a Geração Europa, a nossa geração tomar o destino em suas mãos e impedir o sequestro do futuro de Portugal, o sequestro de gerações e gerações de portugueses.

Chegou a hora de cortar amarras e correntes,

De dizer não às algemas financeiras e aos grilhões do endividamento crónico.

Chegou a hora, não há que ter medo das palavras, de “libertar o futuro”.

De “libertar o futuro” – o nosso futuro – da política socialista de pura imagem e propaganda,

De “libertar o futuro” – o futuro dos portugueses –

da factura financeira que subjugará as gerações seguintes e penaliza já as gerações presentes,

De “libertar o futuro”, rompendo políticas e rasgando horizontes para que

cada geração possa ser dona e senhora do seu destino

sem pagar tributo aos Césares ou Constantinos do passado.

Essa é a nossa missão actual,

essa é a nossa respon­sabilidade geracional,

esse é o nosso com­promisso histórico.

Nas autarquias, em Portugal, na União Europeia.

Tudo faremos e tudo vamos fazer para libertar Por­tugal, para libertar o futuro.

No dia 25 de Abril de 2009 e no ciclo de transformação que agora se inicia,

A nossa geração, as nossas gerações,

A geração Europa

já só tem um desígnio,

já só segue uma divisa,

já só figura um sonho:

“garantir a liberdade das gerações futuras,

Libertar o futuro.

[discurso de Paulo Rangel]

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